Rebolando na avenida pra desgraça e glória dessa vida
Junho 12, 2007

Preciso admitir que esse ano vi a Parada Gay de um outro aspecto, tão positivo quanto pintei durante um tempo. Após minha primeira participação em 2005, voltei para casa frustrado. O que vi e senti na verdade era somente uma coisa: toda a comunidade GLBT era o tal do Urubus – comendo o próprio rabo (e isso não era um trocadilho, juro!). Toda aquela luta, que eu enxergava como um esforço para desmistificar o estereótipo de futilidade e promiscuidade era, naquela festa, em vão. Afinal, estando no meio daquele povo, bem ao lado da grande bandeira colorida, a paulista era puro carnaval, onde a pegação rolava solta e algumas pessoas, sem pudor, mostravam as partes íntimas. Nos meus 20 anos, eu esperava, ingenuamente, uma militância séria, alguma coisa semelhante ao que as fotos da parada da Romênia mostrou semanas atrás. Passei o domingo amargando por não ter ido. No final, talvez se houvesse essa militância baseado nas políticas ideológicas e socias, não teríamos todo aquele povo sacudindo a bandeira. E claro, a visibilidade, seja no Guiness ou nos jornais de todo o mundo, não seria a mesma. Um bom exemplo ocorreu um dia antes do evento oficial, com a 5ª Caminhada de Lésbicas, Bissexuais e Simpatizantes que, sem todo o confete, amargou com 200 pessoas, contra 500 de 2006.
Talvez seja esse nosso jeito de protestar, fazendo festa. E essa ótica acabou me fazendo lembrar dos momentos legais que todo meu discurso me fez esquecer até então: famílias inteiras curtindo o domingo de sol, um casal de lésbica com sua filha, as drags engraçadissímas, os trios fazendo todo mundo dançar e a alegria de ver aquele mar de gente, tão diferentes, se estendendo na avenida.
Em tempo
Porém, doeu quando li sobre a morte do francês Grégor Erwan. Há duas semanas no Brasil, Erwan foi ao Ritz, restaurante dos Jardins, logo após a Parada. Ao sair, por volta das 22h30, foi esfaqueado ainda na frente do estabelecimento. Aparentemente, nada foi roubado, simplesmente foi morto. Há conquistas e há realmente os momentos bons, mas ainda assim somos na maioria um povo quadrado, filha da puta e preconceituoso. Coisa que 3,5 milhões de pessoas ainda não conseguem mudar.
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Junho 12, 2007 at 5:41 pm
Militância? Cara isso não mais existe hoje, é tudo uma questão comercial, oportunidade de mercado. A prefeitura da cidade só vê isso, um publico qualificado que lota os hoteis e consome muito. Diferente dos evangélicos que tiveram o roteiro da sua militância alterado, talvez por comprar camisetas a 15 reais e agua, na verba que economizaram em sua rotina – perfil social D/E.
Não sou evangelico nem gay, sou capitalista da alma vendida, hehehe
To orgulhosão de ver o blog andando. Parabéns!