O Inferno, por Beyoncé

agosto 29, 2011

E o novo clipe da Beyoncé para 1+1 (que parece uma versão de Whitney Houston mais safadinha) que bebe na fonte de Henri-Georges Clouzot e seu filme incompleto Lenfer?


O projeto nunca foi concluído, mas várias cenas estão espalhadas por aí e foram recentemente compiladas em um documentário.

Nesta cena, Romy Schneider aparece em um delírio do marido, que acha estar sendo enganado pela mulher.

Que orgulho, Beyonça!

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You had a health scare and spent time in hospital in 2009. What, if anything, do you fear about death?

I have lived with the prospect of an early death for the last 49 years. I’m not afraid of death, but I’m in no hurry to die. I have so much I want to do first. I regard the brain as a computer which will stop working when its components fail. There is no heaven or afterlife for broken down computers; that is a fairy story for people afraid of the dark.


E o mundo fica louco com Stephan Hawking dizendo ao Guardian que não há céu ou vida após a morte, e que nosso cérebro é como um computador, que para de funcionar quando os componentes falham.

Nada que já não ouvimos antes. O que leva a crer que, gostando ou não dele, o físico (seus trabalhos, seus pensamentos) é relevante ao mundo.

Agora, os carolas de plantão já dizem que Hawking na verdade tem raiva de Deus por ter uma distrofia neuromuscular. Sabe como é…

Documentário bem legal sobre o disco (que está, definitivamente, no meu top 3 do Pink Floyd)

Tinha me esquecido de como gostava do Meddle

 

Outro dia revi Blow-up (no Brasil, Depois Daquele Beijo), de Michelangelo Antonioni. 

Após aquela partida de tênis um tanto insólita, apareceu o The End e eu, mais uma vez, fiquei parado tentando absorver toda força daquele filme.  Antonioni não escolhe histórias para contar, prefere revelar mensagens, expor as angústias e os males que assolam intrinsecamente cada um ou até mesmo toda a sociedade. No meio dessa visão do mundo moderno, em pleno anos 60, ninho da revolução cultural e social, a contracultura fervilhava com idéias e questionamentos. Embora não seja porra-louca e nem tenha ecos da alma hippie, Blow-up é um das histórias mais fiéis de uma época, justamente por trazer um outro lado. Londres, onde se passa o filme, também é uma cidade fria e seca, e os anos 60, na verdade, estiveram mergulhados em um niilismo genuíno, reflexo dos ideais capitalistas e da globalização desenfreada. Com toda essa frivolidade, há certo distanciamento do que é real, do que verdadeiramente acontece. Com a estética em primeiro plano, as pessoas começam a basear sua realidade naquilo em que se é relatado, fotografado, gravado… E quando se vivencia nada é revelado aos olhos viciados.  

Em seu primeiro filme em língua inglesa, Antonioni não se deixa intimidar e mascara seu filme de uma maneira que todos gostariam de ver: um colorido exuberante, trilha sonora sensacional assinada por um alucinado Herbie Hancock e tudo que era moda naquela época. Uma jovem Jane Birkin até apareceu nua em um papel pequeno, chocando os mais puritanos em 66 (a Warner cortou inexplicavelmente essa cena do dvd, causando furor nos fãs). Mas na verdade, todas as seqüências e ângulos (que por si só já é uma aula de cinema) fazem enxergar além da primeira impressão.

Como Thomas (David Hemmings), o fotógrafo blasé, descobre através de um suposto assassinato: Não basta só ver, tem que enxergar.

 
 

Marcelo Camelo lançou recentemente o disco “Sou” (ou “Nós”, depende de como você vê a capa, um poema visual de Rodrigo Linares) e foi sumariamente malhado pelas críticas. Basicamente só os fãs gostaram, e olhe lá. Foram poucos os jornalistas que olharam o trabalho do “hermano” sob uma ótica despretensiosa – que é como o cantor escolheu estrear em carreira solo. A Folha de São Paulo  massacrou a obra dizendo que é uma das coisas mais chatas já feitas, e que o disco beirava o insuportável.

A questão é que Camelo optou pela brejeirice, pela voz sussurrada, pela reflexão mínima daquilo que já foi taxado como o mal do século: a solidão – que, como tudo no mundo, acaba sendo uma faca de dois gumes, não é necessariamente uma coisa ruim, negativa.

A ideia, posta ao lado de toda a produção musical dita moderna hoje, chega a parecer pobre. Não é culpa de Camelo, mas sim dos nossos ouvidos. Ele busca doçura, simplicidade, meditação. No lugar de pretensão, o relaxamento natural – o que dá margem, segundo o próprio, à vida, às canções. 

Não há João Gilberto ou Caymmi em “Sou”, mas há o espírito esquecido dos anos 50, o mesmo que fez gerar as pérolas da bossa ou as canções sobre o mar. Pra não dizer que Camelo preferiu o analógico, a sonoridade antiga, o espírito se adapta ao rock, como em “Téo e a Gaivota” e “Mais tarde”, as duas acompanhadas pela Hurtmold, banda devota dessa busca.

  Se “Sou” soar velho, pode ser apenas questão de preferência. Se soar chato e ruim, culpe seus ouvidos viciados.